-
Por Rodrigo Lobato
- novembro 5, 2026
Fraude em anúncios
7 tipos de fraude em anúncios que fazem o dinheiro da sua marca sumir
Robôs, sites disfarçados e anúncios escondidos. Um resumo dos golpes mais comuns, e do que ajuda a se proteger.
Imagine pagar por um outdoor na avenida mais movimentada da cidade.
Agora imagine que ele está num terreno baldio.
E quem "passa" por ele são manequins.
Na mídia digital, isso acontece todos os dias.
As marcas pagam para aparecer em portais, sites e aplicativos.
Mas uma parte desses anúncios nunca chega a uma pessoa de verdade.
Foi vista por um robô, carregada num espaço invisível ou exibida num site que fingia ser outro.
O relatório mostra a entrega.
O dinheiro sai.
E ninguém viu o anúncio.
No Brasil, o problema é maior que a média global
No Brasil, 41% do tráfego programático em apps foi considerado inválido no 2º trimestre de 2025, segundo a Pixalate.
Na web, foram 22%.
O Brasil está acima da média global, que foi de 29% em apps e 19% na web.
É importante ressaltar que nem todo tráfego inválido é golpe.
Os robôs de empresas de busca e de redes sociais, por exemplo, visitam sites o tempo todo para trabalhar: encontrar páginas novas ou conferir se o anúncio combina com a página para onde ele leva.
A fraude de verdade é a parte que finge ser gente de propósito.
Os 7 tipos mais comuns de fraude em anúncios

1. Robôs fingindo ser pessoas (bots). Programas que visitam, rolam a página e clicam como se fossem gente. Alguns chegam a preencher cadastros e simular compras. O objetivo é inflar a audiência: quanto mais "visitas", mais anúncios o site ou o intermediário mal-intencionado consegue vender, e mais dinheiro recebe.

2. Fazendas de cliques. Pessoas reais, pagas para clicar, instalar e se cadastrar em série. Gente real, interesse falso.

3. Site disfarçado. Um site desconhecido se apresenta como portal famoso, e cobra como tal. É a etiqueta de grife na bolsa sem marca.

4. Anúncio invisível. A tela do celular é formada por milhões de pontinhos de luz, chamados pixels. Nesse golpe, o anúncio é redimensionado para um tamanho minúsculo, às vezes de um único pixel, menor que o ponto final desta frase. Contou como impressão, mas ninguém viu.

5. Anúncios empilhados. Vários anúncios no mesmo espaço, um em cima do outro. Só um aparece, todos são cobrados.

6. Roubo de crédito pela venda. Muitas marcas pagam comissão a quem "trouxe" o cliente, e o crédito costuma ir para o último link clicado antes da compra. O golpe é aparecer nesse último segundo. Em sites, um código escondido na página troca a "etiqueta" do link pela do fraudador momentos antes da compra ou do cadastro. Em apps, um clique falso é disparado bem na hora da instalação. A venda ia acontecer de qualquer jeito, mas a comissão vai para quem não fez nada. É como alguém entrar na loja junto com o cliente e pedir comissão ao vendedor.

7. Sites feitos só para anúncios (MFA). Muita propaganda, pouco conteúdo e quase nenhuma atenção. Nem sempre é fraude no sentido legal, mas o efeito para a marca é parecido.
Como se proteger da fraude em mídia digital
Não existe proteção perfeita.
Mas alguns cuidados simples já filtram muita coisa:
- Pedir a lista de onde o anúncio apareceu. Se ninguém consegue entregar, vale entender por quê.
- Usar verificação independente. Existem empresas especializadas em conferir se o anúncio apareceu para pessoas reais, em lugares seguros e de forma visível. O ponto é ser independente: quem vende a mídia não deveria ser o único a medir o resultado dela.
- Questionar número bonito demais. Taxa de clique altíssima ou audiência gigante num site pequeno são sinais de alerta.
A curiosidade é a melhor proteção
Fraude em anúncios é o anúncio que você paga e que não chega a pessoas reais.
Existe muito tráfego bom na mídia digital.
E existe muito tráfego que não é.
Só a curiosidade de entender a fundo cada número separa um do outro.
Contra números, há argumentos.
Sobre a Escola de Mídia
A Escola de Mídia é uma associação sem fins lucrativos dedicada à transparência, à ética e à educação técnica no mercado publicitário digital.
Contato: contato@escolademidia.org · LinkedIn · Instagram